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22 de setembro de 2026 por Ágil

Migrar de MEI para ME é de graça? A verdade que poucos contam sobre esse processo

Migrar de MEI para ME é de graça? A verdade que poucos contam sobre esse processo
22 de setembro de 2026 por Ágil

Assista ao vídeo original abaixo, ou continue lendo o resumo escrito:

Se você é MEI e está crescendo — seja vendendo mais como afiliado, faturando mais com cursos online ou expandindo sua loja virtual — em algum momento vai esbarrar nessa pergunta: “migrar de MEI para ME é de graça?”

Você provavelmente já viu em algum lugar, talvez até no Sebrae, a informação de que sim, é só entrar no site da Receita Federal, clicar em um botão e pronto: virou ME (Microempresa). Essa informação não é mentira, mas está incompleta. E é exatamente essa parte que falta que costuma pegar empreendedores de surpresa.

O que significa migrar de MEI para ME

Quando você fatura acima do limite permitido para MEI, ou simplesmente decide que seu negócio precisa de uma estrutura maior (para ter mais de um funcionário, por exemplo, ou atuar em atividades que o MEI não permite), a solução é migrar para outro enquadramento: a Microempresa, conhecida como ME.

A ME é um tipo de empresa mais robusto que o MEI, com outras regras contábeis e tributárias, mas que ainda pode se beneficiar do Simples Nacional (o regime simplificado de impostos usado por pequenos negócios).

A parte que é realmente simples e gratuita

É verdade que, para transformar o cadastro de MEI em ME na Receita Federal, o processo é simples. Você acessa o sistema, faz a solicitação de desenquadramento do MEI e o enquadramento como ME, e em pouco tempo o CNPJ já aparece com a nova classificação.

Até aqui, tudo bate com o que você ouviu por aí. Não tem custo, não precisa de contador para essa etapa específica, e realmente qualquer pessoa consegue fazer sozinha, clicando nas opções corretas.

A parte que ninguém te conta: a Junta Comercial

O problema é que a Receita Federal não é o único órgão envolvido. Toda empresa formalizada no Brasil também precisa estar regularizada na Junta Comercial do seu estado — o órgão responsável por registrar oficialmente a existência e as regras de funcionamento da empresa.

Enquanto você é MEI, esse registro é simplificado. Mas quando você vira ME, a Junta Comercial passa a exigir mais formalidades, como:

  • Elaboração ou adaptação do contrato social (documento que define as regras da empresa, sócios, atividades permitidas, entre outros pontos) ou, no caso de empresário individual, do ato constitutivo correspondente;
  • Registro desse documento junto à Junta Comercial do estado;
  • Atualização de outras informações cadastrais da empresa, conforme a atividade e o enquadramento.

Ou seja: só clicar no botão da Receita Federal não regulariza a empresa por completo. Você pode até aparecer como ME no CNPJ, mas se a Junta Comercial não tiver o registro correspondente, sua empresa está com uma pendência que pode gerar problemas mais à frente — como dificuldade para emitir nota fiscal corretamente, abrir conta empresarial, participar de licitações, entre outras situações.

Por que esse processo costuma ter custo

Diferente da etapa na Receita Federal, o processo na Junta Comercial normalmente envolve taxas cobradas pelo próprio órgão, além do trabalho técnico de elaborar corretamente o contrato social e outros documentos exigidos. Esse é um serviço que, na prática, costuma ser feito por um contador ou por um profissional especializado em abertura e alteração de empresas.

Por isso a informação “migrar é de graça” só está certa pela metade: a parte da Receita Federal realmente não tem custo direto, mas a parte da Junta Comercial — que é obrigatória para a regularização completa da empresa — geralmente tem.

Os valores exatos variam de estado para estado e conforme a atividade da empresa, então não dá para generalizar um número aqui. O ideal é sempre confirmar o valor atualizado diretamente com um contador ou com a Junta Comercial do seu estado.

O que pode dar errado se você pular essa etapa

Muita gente migra sozinha pela Receita Federal, acha que está tudo certo, e segue trabalhando “como ME” sem nunca ter regularizado nada na Junta Comercial. Isso pode causar dor de cabeça depois, como:

  • Inconsistência entre os dados da Receita Federal e da Junta Comercial;
  • Dificuldade em comprovar formalmente a estrutura da empresa para bancos, plataformas de pagamento ou parceiros comerciais;
  • Complicações na hora de fazer novas alterações no CNPJ no futuro, já que os órgãos podem não estar sincronizados;
  • Risco de a empresa ser considerada irregular em determinadas situações, mesmo constando como ME no cadastro da Receita.

Como fazer essa migração da forma correta

Se você está pensando em migrar de MEI para ME, o caminho mais seguro é:

  1. Conversar com um contador antes de iniciar qualquer processo, para entender se a migração realmente faz sentido para o seu momento de negócio;
  2. Verificar quais documentos e taxas são exigidos pela Junta Comercial do seu estado;
  3. Fazer a solicitação na Receita Federal e, na sequência (ou em paralelo, dependendo da orientação do contador), regularizar tudo na Junta Comercial;
  4. Guardar todos os comprovantes e documentos gerados nesse processo, já que eles vão compor o histórico formal da sua empresa.

Fazer esse processo com acompanhamento profissional evita retrabalho e evita que você descubra, meses depois, que sua empresa está “pela metade” — com CNPJ de ME mas sem o registro correspondente.

Vale a pena migrar sozinho para economizar?

A etapa da Receita Federal, como vimos, você pode fazer sozinho sem problema. Mas a etapa da Junta Comercial exige conhecimento técnico para redigir corretamente o contrato social e outros documentos, respeitando as exigências específicas da sua atividade e do seu estado.

Errar nesses documentos pode gerar retrabalho, novas taxas para correção e atraso na regularização completa da empresa. Por isso, mesmo que pareça um gasto a mais no começo, contar com um contador nessa etapa costuma sair mais barato do que tentar economizar e ter que corrigir erros depois.

Se você já fatura o suficiente para considerar essa migração, provavelmente também já está em um momento de negócio em que vale a pena ter suporte contábil especializado em economia digital — alguém que entenda como funcionam afiliados, infoprodutos, e-commerce e criação de conteúdo, e não só o modelo tradicional de empresa.

Perguntas frequentes

Migrar de MEI para ME é realmente de graça?

Só em parte. A mudança de enquadramento na Receita Federal não tem custo, mas a regularização na Junta Comercial (obrigatória) geralmente envolve taxas e a elaboração de documentos como o contrato social.

Posso ficar só com a mudança feita na Receita Federal?

Não é recomendado. Sem o registro correspondente na Junta Comercial, sua empresa fica com uma pendência que pode gerar problemas com bancos, notas fiscais e outras situações no futuro.

Preciso de contador para migrar de MEI para ME?

Para a parte da Receita Federal, não é obrigatório. Mas para a etapa da Junta Comercial, que envolve documentos técnicos, o acompanhamento de um contador é altamente recomendado para evitar erros e retrabalho.

Quanto custa regularizar a empresa na Junta Comercial?

O valor varia conforme o estado e a atividade da empresa, por isso não é possível informar um número fixo. O ideal é consultar um contador ou a Junta Comercial do seu estado para o valor atualizado.

Quando faz sentido migrar de MEI para ME?

Geralmente quando o faturamento ultrapassa o limite permitido para MEI ou quando o negócio precisa de uma estrutura maior, como mais funcionários ou atividades não permitidas ao MEI. Um contador pode ajudar a avaliar o momento ideal para o seu caso.

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